2 de abr de 2009

Prisioneiro de mim



Ontem, eu estava assistindo “Prison Break”, seriado exibido pela Fox e recentemente pela Globo, quando uma frase do episódio me chamou muita atenção.

“Somos prisioneiros de nossa própria identidade, vivendo em prisões que nós mesmos criamos”.

Fui dormir com minhas “enzimas cerebrais” tentando digerir o que essa afirmação significava nesse exato momento da minha vida.

Acompanho Prison Break desde a primeira temporada. A série traz uma sensação de que, não importa o que você faça, há sempre alguém, com mais poder que você, manipulando um jogo sem possibilidades de vencê-lo. Tudo é comprado e por interesse. Essa discussão dá pano pra manga e não pretendo investir nela nesse momento. De qualquer forma, ainda estou na torcida pela vitória merecida do Michael Scofield e seu time de presidiários com causas “nobres”.

Por mais que estivéssemos a mercê de uma sociedade manipuladora, sempre tive a certeza da possibilidade de liberdade interior. A afirmação acima foi como uma bomba nas minhas convicções. Gosto disso. Precisei refletir e colocar essa frase a luz da palavra de Jesus. Olhei ao meu redor e percebi que aquela frase se faz verdade na vida da maioria das pessoas. Parece impossível darmos passos que não condizem com nossa identidade. Reproduzimos uma padrão, como se nossa programação não nos permitisse fazer o contrário. Obviamente somos livres para decidir, mas nosso leque de decisão está primeiramente restrito pelas limitações externas impostas e depois pelo nosso limitado repertório interno, que nos permite apenas enxergar a vida segundo nossa própria história e nossos próprios caprichos. Podemos refletir sobre o número de vezes que nos encarceramos e ir muito a fundo nessa questão. Se achamos que não, é porque nossa ilusão é nosso mais sofisticado cárcere.

Afirmei acima que essa frase - “se faz verdade” - mas não significa que assim ela deva ser. Eu discordo dela. E para esclarecer preciso adicionar fé na razão. Acredito que somos prisioneiros de uma identidade que pensamos ter. Porque não há como conhecer a totalidade da criatura sem buscar seu criador. Somente Deus possui guardada nossa verdadeira identidade. Por isso toda vez que nos aproximamos dEle, recebemos também um pouquinho do conhecimento sobre nós mesmos. Quando somos refém de nossa identidade, é porque nos encarceramos numa jaula forjada por uma identidade adoecida, portanto incompleta, sem sua verdadeira plenitude.

O encontro com a pessoa do Cristo ressuscitado, ilumina o que outrora estava obscuro. Revela em nós características que até então manifestávamos de forma doente. O amor dEle nos aproxima de quem somos verdadeiramente. Não acredito que exista criação de Deus que não tenha em sua essência reflexos de Sua beleza e sabedoria. O que caminha para o lado contrário está distorcido. Por isso, na minha opinião, não existe conversão concretizada. Aqueles que se propuseram a ela encontram-se em processo, alternando (ou firmando) constantemente sua rota em direção a Ele. Uma dinâmica perene e custosa, mas com a melhor relação custo-benefício. A verdade daquela afirmação está condicionada a nossa estagnação.

Como saber se estamos certos? Não sei. Até chegarmos do outro lado dessa vida, nosso julgamento será sempre segundo nós mesmos, portanto, totalmente tendencioso. Mas vale a tentativa. Se cremos na ação libertadora de Jesus que é caminho, verdade e vida, podemos estar em processo de mudança e de encontro com Ele.

Talvez sejamos verdadeiramente reféns do nosso livre-arbítrio, dele não há como escapar, reféns daquilo que mais buscamos, a liberdade! Se tivermos que ser prisioneiros, que sejamos do livre-arbítrio, buscando viver nossas escolhas do modo mais saudável possível.

Escolhas, escolhas, escolhas, sempre elas… E essa é a minha, Jesus! Pode ser certa, pode ser errada, posso até vacilar, mas é a minha verdade e a verdade que eu quero oferecer.

Quero dizer só mais uma coisa. Assistam Prison Break .. rs … é intrigante e inteligente.

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